terça-feira, setembro 25, 2012

Papier poumon.

É tarde demais, é tarde demais agora para afastá-lo.
A vela queima nas duas pontas, mas só se você acenda-las.
Pensando em tudo, eu pergunto: e então onde é que isso nos deixa? 
Ficando mais vazio do que eu jamais te deixei, com a cabeça na água está ficando mais difícil respirar, então, levante-se, levante-se.
Chove lá fora (e se sobrevoassemos sobre um mar?), e essa água que cai serviria só para me lavar, e levar tudo que disperdicei em planos aqui dentro da minha mente.
Eu concluo: é tarde demais para afastá-lo.
Não me interprete mal, eu estou tão assustada quanto você está agora.. alias, você está?
Nos deixaram aqui sem rumo, mas você sequer tentou lutar contra a corrente.
Assista ao despejar da água mais rápido em seus pulmões, então, inspire, expire.
É tarde demais para afastá-lo, mas é difícil me ouvir quando você está afundando.
Alias, me diz, você me ouviu antes?



Como você pode dormir aqui? Eu carrego o peso de seu mundo, e voce não carrega nada meu.
Eu não acredito numa única palavra que você me vendeu, mas acredite em todas que eu te dei.
Eu carrego o seu fardo, pela última vez, juro que estou farta de todos os seus medos... que se tornaram meus.

É muito tarde, para afastá-lo da ressaca.

Eu vejo a chuva te levar (o mar te afogar), e vou embora.

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